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ELIANA CALMON

“Lava Jato ainda pegará o judiciário”, diz ex-ministra

20 Abril 2017 - 06h59

A Ministra aposentada do Superior Tribunal e Justiça, ex- corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, afirmou em entrevista a Folha de São Paulo que a "Lava Jato pegará o Poder Judiciário".

Ela citou ainda que "muita coisa deve vir a tona" e que acredita que sua ‘previsão’ se concretize em um segundo momento, "como estratégia para não enfraquecer a investigação."

Ela foi alvo de duras críticas ao afirmar, em 2011, que havia bandidos escondidos atrás da toga. "Os políticos corruptos nunca temeram a Justiça e o Ministério Público. O que eles temem é a opinião pública e a mídia", afirma.

Como a senhora avalia a lista dos investigados a partir das delações?

E.C- Não fiquei surpresa. Praticamente todos os grandes políticos estariam envolvidos, em razão do sistema político brasileiro, que está apodrecido.

Algum nome incluído na lista a surpreendeu?

E.C- José Serra (PSDB-SP) e Aloysio Nunes Ferreira (ministro das Relações Exteriores, também do PSDB-SP).

A Lava Jato poderá alcançar membros do Poder Judiciário?

E.C- No meu entendimento, a Lava Jato tomou uma posição política. É minha opinião pessoal. Ou seja, pegou o Executivo, o Legislativo e o poder econômico, preservando o Judiciário, para não enfraquecer esse Poder. Entendo que a Lava Jato pegará o Judiciário, mas só numa fase posterior, porque muita coisa virá à tona.

Os tribunais superiores têm condições de instaurar e concluir todos esses inquéritos?

E.C- É possível o Poder Judiciário punir a corrupção com vontade política. É difícil, porque tudo depende de colegiado. Muitas vezes alguém pede vista e "perde de vista", não devolve o processo. Hoje, o Judiciário está convicto de que precisa funcionar para punir.

Como deverá ser a atuação do Judiciário nos Estados com os acusados sem foro especial?

E.C- Hoje, o Judiciário mudou inteiramente. Todo mundo quer acompanhar o sucesso de Sergio Moro. Os ventos começam a soprar do outro lado.

Como avalia o desempenho da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia?

E.C- A ministra Cármen Lúcia demonstra grande vontade. Mas vai precisar de muito jogo de cintura. O colegiado é muito complicado, muito ensimesmado. Os ministros são muito poderosos. Há muita vaidade.

Há risco de um "acordão" para sobrevivência política dos investigados?

E.C- O Congresso Nacional já está tomando as providências para que não haja a punição deles próprios. Eles estão com a faca e o queijo na mão. É óbvio que haverá uma solução política para livrá-los, pelo menos, do pior.

Como vê a crítica de que a lista criminaliza os partidos e a atividade política?

E.C- É uma forma de inibir a atividade do Ministério Público e da Justiça. Os políticos corruptos nunca temeram a Justiça. O que eles temem é a opinião pública e a mídia.

A Lava Jato cometeu excessos

E.C- Houve alguns excessos, porque o âmbito de atuação foi muito grande.

A senhora foi citada numa das delações por ter recebido da Odebrecht para sua campanha a senadora, em 2014.

E.C- Foi R$ 200 mil ou R$ 300 mil, não me lembro. Não foi mais do que isso. Mas não foi doação a Eliana Calmon, foi ao partido, ao PSB, que repassou para mim. Esse dinheiro está na minha declaração.

Essa contribuição não compromete o seu discurso?

E.C- Não, em nada. Inclusive, depois da eleição, um dos empregados graduados da Odebrecht perguntou se eu poderia gravar uma entrevista. Os advogados pediam a pessoas com credibilidade para dar um depoimento a favor da Odebrecht, por tudo que a empresa estava sofrendo. Não fiz a gravação. Porque isso desmancharia tudo que fiz como juíza. Sempre agi como Sergio Moro.

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