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Michel Temer lista 25 infiéis da votação trabalhista para demitir seus indicados

29 Abril 2017 - 12h46

O presidente Michel Temer listou cerca de 25 parlamentares que terão seus aliados demitidos de cargos públicos por terem votado contra o governo na proposta de mudança da legislação trabalhista e também por não apoiarem a reforma da Previdência.

A estratégia do Palácio do Planalto é tirar os cargos dos parlamentares considerados infiéis e transferir as nomeações para outros, em troca dos votos destes deputados na reforma da Previdência.

O governo considera ter sido traído por cerca de 70 deputados. Espera que as demissões ajudem a reverter a posição do resto do grupo.

Os alvos são deputados que compõem a base de Temer, mas são considerados "irrecuperáveis" —ou seja, traíram o governo e não podem ser convencidos a apoiar a reforma da Previdência.

Há nomes de dez partidos, como o PMDB (sigla do presidente), o PP (do líder do governo) e o PSB, que declarou posição contrária às reformas e deve ser o mais atingido.

Segundo a Folha apurou com dois integrantes da equipe de articulação política, entraram na lista Gonzaga Patriota (PSB-PE), Cícero Almeida (PMDB-AL), Luciano Ducci (PSB-PR), Marcelo Álvaro (PR-MG), Jony Marcos (PRB-SE), Antonio Jácome (PTN-RN).

Por compor a base aliada de Temer, esses deputados ganham junto ao governo o direito de escolher quem ocupará cargos da administração federal em seus Estados de origem. Serão alvos de retaliação, por exemplo, uma gerência do INSS, ocupada por indicação de Patriota, e um posto em Itaipu, ocupado por um aliado de Ducci.

O DEM deve ser poupado, porque entregou os votos de 100% de seus deputados a favor da reforma trabalhista.

A lista foi fechada em reunião na noite de quinta-feira (27), no gabinete presidencial, com as participações de Temer, dos ministros Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Dyogo Oliveira (Planejamento), do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

Algumas portarias internas com as demissões já foram editadas. A maior parte delas deve acontecer no início da próxima semana, como um recado de que traições em plenário não serão toleradas.

Segundo auxiliares de Temer, nem todas as demissões serão definitivas. Algumas podem ser revertidas se os padrinhos das nomeações decidirem votar com o governo na reforma da Previdência.

Além disso, parte dos deputados que votaram contra a reforma trabalhista será poupada. Temer e seus aliados decidiram manter cargos indicados por parlamentares que procuraram o governo para dizer que se posicionariam contra o texto, mas apoiariam a proposta da Previdência.

Foi o caso, por exemplo, de um deputado que avisou ao Planalto que não poderia apoiar a mudança na legislação trabalhista por ser dirigente de uma central sindical, mas se declarou aberto a discutir a reforma previdenciária. Ele manterá seus cargos no governo.

Temer e seus ministros também vão poupar parlamentares que votaram "não" na reforma trabalhista, mas vão receber cargos em troca do apoio nos próximos projetos de interesse do Planalto.

Líderes do governo reforçaram as promessas de nomeações dentro do próprio plenário, durante a votação das alterações na legislação trabalhista, na última quarta-feira (26).

Minutos depois de votar contra a reforma, o parlamentar de um partido nanico foi procurado por um aliado de Temer, que mostrou a foto da assinatura de uma nomeação que ele pleiteava há meses. Em troca da liberação, deu a promessa de votar "sim" na reforma da Previdência.

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