02/02/2012 16h00
Ministro das Cidades pede demissão do cargo
correioweb
Após denúncias sobre supostas irregularidades na pasta, o ministro das Cidades, Mário Negromonte deixa o cargo na tarde desta quinta-feira (2/2). Na carta de demissão, Negromonte diz que é grato pela confiança que a presidente Dilma depositou em seu trabalho e afirma ser um aliado de primeira hora da presidente e sempre fiel - em uma referência a seu apoio, desde o início, à candidatura da petista. Ele também reiterou que as denúncias de irregularidades na pasta não comprovam nada contra ele. O provável substituto de Negromonte é o líder da bancada do PP na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
Denúncias
Contra Negromonte pesam denúncias de tráfico de influência, fraude de documentos e até pagamento de propina a correligionários. Reportagens publicadas na imprensa denunciam irregularidades no Programa Minha Casa, Minha Vida, como a cobrança de propina para quem precisa de moradia, como taxas de inscrição por organizações não governamentais (ONGs). Além disso, a diretora de Mobilidade Urbana da pasta, Luiza Gomide, com autorização do chefe de gabinete do ministro, Cássio Peixoto, alterou um parecer técnico contrário à mudança do projeto do governo de Mato Grosso de trocar a implantação de uma linha rápida de ônibus (BRT) pela construção de um veículo leve sobre trilhos (VLT).
A mudança aumentaria os custos da obra em R$ 700 milhões. Negromonte acredita que as denúncias contra ele estejam partindo de aliados do governo instalados no ministério. O cerco a Negromonte, que havia amainado no ano passado, fechou-se novamente neste início de ano. Dois assessores diretamente ligados a ele tiveram que deixar a pasta. O primeiro exonerado foi Cássio Peixoto, chefe de gabinete do ministro. Peixoto é apontado como autor da fraude em uma obra da Copa do Mundo de 2014. Na segunda-feira, foi a vez do assessor parlamentar do ministério João Ubaldo Dantas. Ele é responsável pela interlocução da pasta com o Congresso.
Possível substituto
O nome de Aguinaldo Ribeiro cresceu na bolsa de apostas depois de a presidente desistir de indicar Márcio Fortes para as Cidades. A decisão de Dilma tem menos a ver com a rejeição de Fortes na bancada e mais com o raciocínio de que, se agisse dessa forma, teria que pensar em outro nome para comandar a Autoridade Pública Olímpica (APO).
Além disso, Ribeiro é visto no Palácio do Planalto como um bom líder parlamentar, que assumiu o cargo durante uma crise séria na bancada de deputados, mas que conseguiu assegurar o apoio ao governo, apesar da insatisfação com a truncada articulação política palaciana.
