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RURAL

Sem estimar perdas pela geada, produtores mantêm otimismo com milho

12 julho 2019 - 10h15Por André Bento

Produtores rurais e especialistas ainda não conseguem avaliar com clareza as eventuais perdas na safra do milho safrinha causadas pelas geadas que atingiram a região sul de Mato Grosso do Sul na semana passada. Contudo, consideram que o respeito ao zoneamento agrícola possibilitou salvar a maior parte das lavouras do Estado e mantêm otimismo com a colheita, estimada em 10,127 milhões de toneladas no mais recente levantamento do setor.

Conforme já mostrado pelo Dourados News, o Boletim Guia Clima da Embrapa Agropecuária Oeste registrou condições favoráveis à ocorrência de geada forte durante o final de semana.

“Teve muita geada na região sul. Dourados teve temperaturas mínimas de 0.9ºC sábado e domingo, Rio Brilhante 0.3ºC e -1.4ºC, e Amambai 0.10ºC”, detalhou o agrometeorologista Carlos Ricardo Fietz, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste.

Para ele, porém, quem seguiu a recomendação do zoneamento e semeou até 10 de março dificilmente vai ter algum problema. “A geada aqui na Embrapa foi bem forte. Mas não escutei quase ninguém reclamando”, disse.

Segundo o agrônomo Stefano Gonella, que cultiva 1,5 mil hectares na região do Carumbé, município de Itaporã, não houve danos significativos. “Na região de Itaporã a geada não chegou a afetar muito o milho safrinha. Só algumas áreas que plantaram fora do zoneamento e pastagem que afetou. A geada foi meio localizada”. informou.

Com 50% da área já colhida, ele tem obtido produtividade média de 100 sacas por hectare e espera finalizar o trabalho até agosto. “Vamos entrar na metade final e milho está mais fraco porque pegou seca em abril, a produção vai diminuir agora. A média do município deve ficar em torno dos 80 sacos por hectare, melhor do que no ano passado”, detalhou.

Consultor com clientes em diversos municípios sul-mato-grossenses, o agrônomo Otávio Vieira de Melo destaca ter percebido sinais de danos da geada em algumas regiões, como Ponta Porã, Antônio João, Maracaju, e Sidrolândia, onde o plantio ocorreu mais tarde.

“A gente está avaliando, mas afetou o milho plantado fora de época, de 10 até 30 de março, e nas áreas mais baixas. Não estamos conseguindo estimar a perda ainda, mas isso vai ser possível até terça ou quarta-feira da próxima semana”, ponderou.

Na área em que cultivou 250 hectares, no município de Itaporã, a colheita deve ter início nos próximos 10 dias. A expectativa é uma produtividade de até 100 sacas por hectare.

O otimismo é também reflexo das projeções do setor. No final de junho, o Siga MS (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio) revisou a estimativa de produção do milho safrinha para 10,127 milhões de toneladas, volume 6% superior ao previsto anteriormente, de 9,5 milhões de toneladas.

Os primeiros dados apurados no início da colheita indicaram lavouras colhendo até mais do 100 sacas por hectare. Isso motivou revisão da produtividade de 83 sacas por hectare para 88 sacas por hectares.

Na quinta-feira (11), a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgou o 10º Levantamento da Safra de Grãos 2018/2019, com estimativa de 240,7 milhões de toneladas de milho produzidas nessa safra em todo o Brasil. Desse total, 9.960 milhões no Mato Grosso do Sul, terceiro maior produtor nacional.

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